Artigos Científicos

25/03/2019

 

ARTIGO: 

Ação antineoplásica da C-ficocianina extraída de Spirulina platensis em linhagens
eritroleucêmicas humanas com e sem o fenótipo de resistência a múltiplas drogas

RESUMO:

A C-ficocianina (C-FC), pigmento fotossintético de cianobactérias como a Spirulina
platensis, possui capacidade antitumoral. Contudo, os mecanismos responsáveis pelo efeito
antitumoral permanecem incompletamente compreendidos e o seu papel no fenótipo de
resistência a múltiplas drogas (MDR) é bastante restrito. O fenótipo MDR gera insucessos no
tratamento quimioterápico, sendo importante investigá-lo. O objetivo desta tese foi avaliar o
efeito antitumoral e anti-MDR da C-FC e os mecanismos para geração destes efeitos, em três
linhagens eritroleucêmicas humanas: K562 (não MDR); K562-Lucena (MDR/ superexpressão
da proteína ABCB1 para efluxo de drogas) e FEPS (MDR/ superexpressão das proteínas
ABCB1 e ABCC1 para efluxo de drogas). Realizou-se uma revisão de literatura sobre o tema,
além de testes de viabilidade celular (exclusão por azul de Tripan e MTT), verificação de
marcação por C-FC por citometria de fluxo, análise de atividade das proteínas de efluxo e
avaliação de níveis de espécies reativas de oxigênio (ROS) por fluorimetria, análise de
expressão gênica por PCR tempo real (genes para proteínas de efluxo: ABCB1; ABCC1; genes
para proteínas produtoras de mediadores inflamatórios: PTGS2 e ALOX5), e análise de
interação da C-FC com: ABCB1, ABCC1 e com os quimioterápicos vincristina (VCR) e
daunorrubicina (DNR) por docking. Com a revisão constatou-se a ubiquidade de alvos

celulares e mecanismos de ação da C-FC, bem como o potencial anti-MDR da molécula. A C-
FC inibiu a proliferação nas linhagens K562, K562-Lucena e FEPS (sendo K562 a mais

sensível e FEPS a mais resistente), sem gerar citotoxicidade para os macrófagos peritoneais
de Mus musculus. A C-FC interagiu de modo diferencial com as proteínas de efluxo ABCB1 e
ABCC1 afetando a atividade apenas de ABCC1. A mudança de atividade da ABCC1
possivelmente gerou o efluxo da C-FC, pois a FEPS (única linhagem com ABCC1) foi aquela
com menor marcação por C-FC e mais resistente. No docking proteína-ligante a C-FC
interagiu com VCR e DNR de modo semelhante, contudo o aumento de sensibilidade com a
combinação C-FC/quimioterápico foi verificado apenas para C-FC + DNR, indicando que a
formação de complexo C-FC/DNR deve modificar a interação de C-FC e/ou DNR com a
ABCC1. Os mecanismos antitumorais não envolveram níveis significativos de apoptose em
relação ao controle, reforçando o papel citostático da C-FC verificado nos ensaios de
viabilidade. A C-FC aumentou os níveis de ROS para K562 e K562-Lucena, reduziu a
expressão do gene ALOX5 para K562-Lucena e FEPS, além de aumentar a expressão de
PTGS2 e ABCB1 para K562-Lucena. Para a linhagem K562-Lucena é possível que a
expressão de PTGS2 e ABCB1 estejam relacionadas sendo ocasionadas provavelmente via
ROS. A C-FC isoladamente gerou inibição de proliferação para K562 e K562-Lucena e
combinada com DNR para a FEPS, sendo que o ROS parece estar envolvido na geração dos
efeitos para K562 e K562-Lucena. A modulação da expressão gênica de ALOX5 parece ser
um importante alvo celular da C-FC em células MDR, mesmo para linhagens mais resistentes
como a FEPS. A C-FC tem capacidade anti-MDR isolada ou em combinação com DNR,
sendo provável o envolvimento de vias de sinalização relacionadas a ROS e a modulação da
expressão gênica para geração desse efeito

LINK: https://drive.google.com/open?id=0Bwrj0maZX9YyaTJBVF9NQTZaOHR0T2FpcDFYd2pKR0V6OUdj

 

 

 

ARTIGO: POTENCIAL DO EXTRATO DE C-FICOCIANINA COMO INGREDIENTE BIOATIVO

PARA A FORMULAÇÃO DE NUTRICOSMÉTICOS

 

RESUMO: 

As cianobactérias são micro-organismos procariotos que apresentam expressivo potencial
biotecnológico, assim como inúmeras propriedades terapêuticas, funcionais e nutricionais. A
Spirulina, possui status GRAS (Generally Recognized As Safe) emitido pelo FDA (Food and
Drug Administration) e por conter compostos biologicamente ativos, como a C-ficocianina
(CFC) apresenta interesse em diferentes setores de saúde e do setor alimentício. Neste
contexto, o objetivo deste trabalho foi investigar o potencial do extrato bruto de CFC como
ingrediente bioativo para a formulação de nutricosméticos. Para tal, a parte experimental deste
trabalho foi dividida em duas etapas. A primeira etapa consistiu na avaliação da atividade
imunomoduladora do extrato bruto de CFC obtido da microalga Spirulina sp. LEB 18,
utilizando como modelo celular a linhagem monocítica de leucemia aguda humana THP-1 e
como imunoestimulador, lipopolissacarídeo (LPS) de Escherichia coli. Os resultados
demonstraram que o extrato de CFC, nas concentrações 0,001 mg/mL a 1 mg/mL, apresentou
atividade imunomoduladora, com efeitos imunossupressores e imunoestimuladores para as
citocinas avaliadas interleucina-8 (IL-8) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). Todavia, a
expressão de genes que codificam estas citocinas pró-inflamatórias não foi alterada e a
ativação do receptor do tipo Toll 4 (TLR4) foi observada, sugerindo que este é um dos
receptores responsáveis pelo reconhecimento das respostas imunoestimulantes do extrato de
CFC. A segunda etapa consistiu na avaliação do efeito fotoprotetor do extrato bruto de CFC
em linhagem celular de queratinócitos humano HaCaT. Os resultados demonstram que o
extrato de CFC não alterou a viabilidade de células HaCaT. No entanto, a viabilidade celular
foi alterada significativamente após 72 h, em comparação ao controle, quando irradiadas com
doses que variaram de 0,5 J/cm2 a 6 J/cm2 de UVA. Quando os tratamentos foram associados,
o extrato de CFC nas concentrações 0,001 mg/mL e 1 mg/mL protegeu as células tratadas
pós-irradiação com dose de 0,5 J/cm2 de UVA. Tal efeito pode ser atribuído, em parte, à
diminuição dos níveis intracelulares de espécies reativas de oxigênio (ERO) e à inibição de
peróxidos lipídicos (LPO) gerados, através da capacidade deste extrato em sequestrar ERO,
respostas também observadas neste estudo. Estes achados sugerem que o extrato bruto de
CFC possui aplicabilidade promissora como agente imunomodulador para a melhora da
imunidade inata do hospedeiro bem como para o tratamento de infecções causadas por
diferentes patógenos. Além disso, o extrato exerceu atividade fotoprotetora, inibindo o dano
lipídico e produção de ERO induzido por UVA. A partir das respostas encontradas neste
estudo é possível concluir que o extrato bruto de CFC, obtido da microalga Spirulina sp. LEB
18, apresenta-se como matéria prima potencial para o desenvolvimento de nutricosméticos.

 

LINK: https://drive.google.com/open?id=0Bwrj0maZX9YyYmhxSEdyM01UYmU5TWVVOVUtTDMyWkd1VnhJ

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